Amazon demite funcionários por meio de aplicativo

As reclamações feitas por funcionários da Amazon são muito frequentes na mídia. Geralmente, as reivindicações surgem devido às péssimas condições de trabalho que a empresa oferece. Além de serem poucas as horas de descanso, a pressão por produtividade é altíssima. 

Entre outras reclamações, informações levadas ao portal The Verge mostram a forma como a empresa lida com a falta de resultados de seus funcionários. As revelações são, no mínimo, estranhas. As informações trazem o conhecimento de um software utilizado no esquema de trabalho da empresa. 

O software em questão, faz o papel de um supervisor. Portanto, além de responderem aos seus superiores, os funcionários ainda são monitorados por meio de um aplicativo. A medida é polêmica, uma vez que intensifica as pressões psicológicas por maiores resultados.

Os documentos que o The Verge teve acesso fazem parte de uma reclamação trabalhista contra a empresa. Um ex-funcionário de um centro de distribuição da empresa, recorreu por seus direitos judicialmente e teve resposta da Amazon. 

Sistema inteligente de demissão

Porém, o que deixou muita gente em dúvida, foi o detalhamento do texto resposta de como funciona o método da empresa. Na explicação, a companhia menciona a existência de um sistema capaz de emitir advertências. 

As repreensões acontecem caso os funcionários não escaneiem produtos por muito tempo ou não sinalizem nenhum tipo de atividade. Com os repetidos intervalos sem registro de produção, o aplicativo pode, automaticamente, realizar a demissão. Além da ausência, metas não cumpridas no tempo indicado pelo software também podem levar ao afastamento do funcionário.

No caso de demissão, a Amazon afirma no documento que por meio do software o funcionário pode utilizar uma função que leva o caso para um superior humano analisar. Além da função, fica explícito que a demissão não é efetivada apenas pelo aplicativo: pode haver intervenção no sistema sempre que se fizer necessário.

Porém, a demissão não é a única forma que a Amazon utiliza para reparar os problemas com a baixa produtividade de seus funcionários. Também faz parte do sistema a organização de novos treinamentos, para que os empregados consigam obter um desempenho melhor nas atividades propostas pela empresa. 

Amazon: um ritmo intenso de produção

Em 2017, um jornalista resolveu averiguar os inúmeros casos que surgiam a respeito da empresa. Durante 5 semanas, Alan Selby, do Sunday Mirror, se infiltrou no centro de distribuição de Tilbury, o maior da Amazon.

Durante o tempo que esteve lá, pôde evidenciar metas absurdas estabelecidas pela empresa. “Encontrei funcionários dormindo em pé, exaustos de labutar até 55 horas por semana” afirma o jornalista. Nos armazéns da Amazon, os funcionários são responsáveis por identificar, embalar e classificar os pedidos. A média de embalagens que precisam ser feitas por hora, gira em torno de 120 a 200 ítens. 

Confira um trecho do relato de Alan:

“Um colega foi levado ao hospital de ambulância quando desmaiou durante o trabalho, após perseverar apesar de sentir-se mal. Outra ambulância foi chamada quando uma mulher sofre um ataque de pânico ao saber que suas horas extras compulsórias significariam 55 horas de trabalho até depois do Natal.”