Desempregado, Seu Zeca dorme há 7 anos em aeroporto

No primeiro trimestre, a taxa de desemprego caiu para 12,3%. A informação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. No entanto, o desemprego ainda é a realidade de mais de 12 milhões de brasileiros.

Nesse cenário, um homem chamado José Batista ficou em evidência após uma postagem no Instagram. José Batista, de 59 anos, saiu do interior de Pernambuco e viajou para Recife a fim de encontrar um emprego.

Sem ter onde morar e em busca de emprego, homem dorme no Aeroporto do Recife há sete anos
Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

No entanto, as coisas não saíram exatamente como José esperava. Desde que chegou na capital pernambucana, ele passou a dormir no Aeroporto Internacional do Recife – Gilberto Freyre. José Batista é carinhosamente chamado de Seu Zeca por seus conhecidos.

A decisão de Seu Zeca

A decisão de ir para Recife veio após perder os pais. Além disso, na cidade Itambé, onde vivia, houve uma troca de gestão. Na troca, Seu Zeca ficou no desemprego, pois o seu trabalho era na prefeitura da cidade. 

A demissão realizada foi em massa, cerca de 600 pessoas também foram dispensadas. O pernambucano conta com 25 anos de experiência como vigilante, mas, o currículo não foi suficiente para encontrar outra oportunidade de emprego.

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Em entrevista ao jornal local da Globo em Pernambuco, ele conta: “A casa da gente era de herdeiro e foi vendida, já não tinha o que fazer lá. Eu e mais 600 pessoas perdemos o emprego. É muito ruim, eu não sei nem o que dizer sobre a minha situação, mas é melhor que a que eu teria se ficasse em Itambé. Lá a cidade é pequena e, se aqui está sendo ruim, lá seria pior”

Quando chegou em Recife, já iniciou a procura por um novo trabalho. Porém, desde o início, a condição de vida na capital já era desconfortável. Seu Zeca passou a dormir na rua. No início, dormia no centro da cidade, onde também fazia a procura por emprego. Mas, a realidade na metrópole recifense é bem perigosa.

Com isso, Seu Zeca recebeu orientação para começar a passar as noites no aeroporto da cidade devido à segurança. A ideia era para que fosse uma solução temporária, mas Seu Zeca já está há 7 anos dormindo em uma cadeira no terminal aéreo.

“Eu não gosto nem de pensar na minha situação. Não quero que ninguém tenha que passar por isso. Eu tinha meu emprego, minha casa, hoje não tenho nada. É muito difícil você chegar e não ter o café certo, o almoço certo, o trabalho”, lamenta.

A história ganha visibilidade

As coisas começaram a mudar quando o jovem Leonardo Victor, de 19 anos, cruzou o caminho de José. Leonardo, com uma postagem no Instagram, ajudou Seu Zeca a tornar sua história conhecida. A publicação no perfil do jovem comoveu muitas pessoas.

“Fui encontrar um amigo que trabalha numa empresa aérea e, passeando por lá, me deparei com ele, que me perguntou se tinha jogo do Sport. Ele me contou a história dele e eu fiquei pensando se fosse eu no lugar dele. A repercussão foi muito grande, nem eu esperava. Eu queria que ele tivesse uma casa e um emprego”

Além da comoção causada, Seu Zeca conseguiu uma oportunidade de emprego em sua cidade natal. Nos próximos dias, ele voltará a trabalhar como vigilante em uma casa funerária. 

 

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