Há vagas no mercado para quem desenvolve competências, diz especialista

Cynara Bastos é supervisora de carreiras e conhece muito bem o mercado de trabalho. Ela diz que a melhor dica é ficar de olho nas competências exigidas. “É possível ter competências que são desenvolvidas mesmo sem a experiência de trabalho na carteira”, ela avalia.

Dessa forma, ela cita o exemplo do programa jovem aprendiz. “Ele é compatível com a escola, dá base e vai preparando outras demandas para quando o jovem está na graduação ou formado”.

Foto: (reprodução/internet)

Assim, a supervisora diz que uma boa ideia é ingressar em cursos de capacitação ou outros que busquem resultados direto nas competências exigidas.

Ela conta que atualmente dá para fazer muitos cursos gratuitos, além de buscar informações na internet – independente da renda que o interessado tenha. Para ela, essas competências podem ser conseguidas “através do hábito da leitura e da curiosidade” também.

Dessa forma, Bastos avalia que é sim possível conseguir um emprego independente de ter uma carteira assinada ou não. Para isso, o segredo é desenvolver habilidades com base nas competências exigidas pelo mercado.

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Os dados no Brasil

Atualmente, são mais de 4 milhões de jovens que tem entre 18 e 24 anos que não tem emprego com carteira assinada no país.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). A pesquisa foi feita durante o primeiro trimestre de 2019.

O número é realmente alto se a gente usar a métrica de que mais de 31% de todos os 13 milhões de desempregados no Brasil são jovens. O número era de 2,5 milhões em 2012 e só não é maior do que o início de 2017, quando deram 4,4 milhões.

O trabalho informal

Para driblar os números negativos, muita gente tem se virado como dá, especialmente com o trabalho informal. Esse é o caso da Natália Fernandes, estudante universitária de Pedagogia, em Minas Gerais.

“Mandei currículo até perder as contas. Fiz entrevistas, mas não deu em nada”. Atualmente, a dificuldade dela está para encontrar estágios na sua área. “”Nem os obrigatórios eu consigo”.

Enquanto isso, Natália dá aulas particulares no quintal da sua casa, o que dá um total de R$ 400 mensais. “Dou meu jeito porque se não eu fico sem experiência”.

A falta de experiência

Lucas Casimiro também está sem trabalhar, aos seus 19 anos. Ele conta que ainda que saibam fazer bastante coisa, a experiência conta muito na hora de conseguir o trabalho.

“Corro atrás, mas tem época que até desisto. Toda empresa dá o mesmo retorno: vou levar para o gerente avaliar. E a partir daí, eu fico sem respostas”.

Para ele, “o problema mesmo é não ter experiência na carteira. A maioria das empresas pede, ao menos, 6 meses. Como vou ter experiência se não me dão chance”?

Seguindo as dicas da consultora Bastos, Lucas afirma que estava fazendo um curso de músicas, que foi suspenso pelo governo local.

Enquanto o curso não volta e o emprego não aparece, Lucas também se vira como dá: fazendo trabalhos de montagens com o pai.

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